Deputada Rachel Marques, Guilherme Sampaio e Artur Bruno hoje são políticos partidários. Em anos passados, quando estudantes, foram Presidente de Diretórios Acadêmicos Estudantis (DCE) ou participavam ativamente de suas ações. Por esse motivo, optam por colocar seus comitês na Avenida da Universidade.
Hoje, corredor cultural, ficou assim conhecido porque além do fato de alojar inúmeros cursos de Humanidades da UFC, nos anos 80 quando alguma medida governamental não agradava os estudantes, eles deixavam as salas de aula para fazer passeatas na Avenida da Universidade, lutando por seus ideais. “Íamos lutar pelos nossos direitos na avenida, porque lá era o lugar mais fácil dos estudantes da UFC se encontrarem”, diz Aurélio Sampaio, economista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Com tantas passeatas de estudantes e tantas conquistas a avenida ficou marcada por quem lutava pelos direitos sociais. Assim, toda e qualquer forma de manifestação estudantil era feita lá. Isso acontece devido à história já construída naquele local. ”A Avenida da Universidade foi e continua sendo um grande corredor político de esquerda. Qualquer movimento estudantil ou sindical que passe por ela, ganha grande repercussão na mídia", diz o socialista Marcos Paulo, que é filiado ao Partido dos Trabalhadores e já participou de vários movimentos estudantis.
Grande parte dos estudantes daquela época se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e se tornaram políticos partidários. E, conhecendo toda a história da Avenida da Universidade lá instalaram seus comitês.
As sedes Estaduais e Municipais do PT também tiveram que se alojar na Avenida da Universidade, tendo que se sair da Praia de Iracema, onde já estavam desde os anos 80. Foi a melhor forma que encontraram para se aproximar de seus militantes, e ainda, conquistarem mais filiados. "A Avenida da Universidade é um corredor político. Em todas as greves e movimentos estudantis, os grupos passavam pela avenida. Por isso a aproximação de partidos políticos de esquerda (que são os que normalmente fazem passeatas) migrarem a avenida da universidade", lembra Marcos Paulo.
Somente um candidato, dito de direita instalou seu comitê na Avenida da Universidade, Lúcio Alcântara e Geraldo Alckmin em 2006. Seu partido, PSDB, alugou um grande espaço perto das casas de cultura, nas disputas para Governador e Presidente. Os estudantes da UFC não gostaram muito da idéia e se juntaram para custear o aluguel de um comitê pro Lula, bem próximo ao comitê do adversário "Queríamos mostrar que a avenida da universidade é nossa. Da esquerda. Dos estudantes Universitários", diz Mario Jorge, estudante universitário e filiado ao PT.
Atualmente, apesar dos universitários pouco promoverem passeatas, muitos candidatos continuam a alojar seus comitês na Avenida da Universidade. Segundo Ocelí Lopes, Assessor Político do Vereador Salmito, que foi um dos pioneiros na avenida, a principal motivação para colocar o comitê do vereador é a aproximação com universitários. “Aqui (na avenida da universidade) funciona o escritório político dele, que em período eleitoral, se torna comitê” afirma o assessor político. Mas outro grande motivo o fez colocar seu comitê na avenida, foi a aproximação da sede municipal e estadual do PT. ”Ele queria ficar mais próximo dos membros do PT”, ressalta.
por Radene Fortaleza
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